Este canal apresenta um breve panorama sobre o processo de ocupação do território brasileiro, com ênfase nas contribuições prestadas por distintos grupos étnicos.

A história do povoamento indígena no Brasil é, antes de tudo, uma história de despovoamento, já que é possível considerar que o total de nativos que habitavam o atual território brasileiro em 1500 estava na casa dos milhões de pessoas e hoje mal ultrapassa os 300 mil indivíduos.

Despovoamento, portanto! Eis o primeiro grande traço da história indígena no Brasil, como, de fato, ocorreu nas Américas em proporções gigantescas.

O conhecimento sobre os nativos da terra foi possível graças aos registros produzidos por viajantesOs viajantes que passaram pelo Brasil deixaram uma herança inestimável para o conhecimento de nossa terra. Graças a esses registros, como desenhos, textos, levantamentos dos aspectos físicos e dos recursos naturais e as representações cartográficas, podemos saber mais sobre a nossa história e nosso território desde o século XVI, mesmo que aos olhos de estrangeiros. Alguns dos mais conhecidos viajantes que por aqui passaram no século XVI foram Hans Staden, André Thevet e Jean de Léry. Outros aqui estiveram nos séculos seguintes e cada um deles deixou registros valiosos, como no caso de Kurt Unkel, que esteve no Brasil entre 1903 e 1907, tendo sido rebatizado pelos índios como Kurt Niemiendaju, que quer dizer, "o ser que cria, ou faz, o seu próprio lar". Kurt Niemiendaju ficou mais conhecido pelo Mapa Etno-Histórico, fruto de registros da quase totalidade das tribos indígenas do Brasil. de várias nacionalidades que aqui aportaram desde o século XVI, aos relatórios dos colonizadores e outros estrangeiros, à correspondência dos jesuítas e às gramáticas da "língua geral"Língua geral era a língua falada pelos tupis e, como se expressou Anchieta, a língua mais usada na costa do Brasil. e de outras línguas.

Fonte: VAINFAS, R. História indígena: 500 anos de despovoamento. In: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000.


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