Este canal apresenta um breve panorama sobre o processo de ocupação do território brasileiro, com ênfase nas contribuições prestadas por distintos grupos étnicos.

Os costumes dos tupis ou tupinambás são mais conhecidos por causa dos registros que deles fizeram os jesuítas e os viajantes estrangeiros durante o Período Colonial. O mesmo, entretanto, não ocorreu com os tapuias, considerados pelos colonizadores o exemplo máximo da barbárie e selvageria.

Como viviam os Tupis ou Tupinambás

 

Os tupinambásEtnônimo, ou seja, nome de povos ou de tribos muito utilizado pelos etnólogos quase como sinônimo de Tupi. moravam em malocas. Cada grupo local ou "tribo" tupinambá se compunha de cerca de 6 a 8 malocas. A população dessas tribos girava em torno de 200 indivíduos, mas podia atingir até 600.

Viviam da caça, coleta, pesca, além de praticarem a agricultura, sobretudo de tubérculos, como a mandioca e a horticultura.

A divisão de trabalho era por sexo, cabendo aos homens as primeiras atividades e às mulheres o trabalho agrícola, exceto a abertura das clareiras para plantar, feita à base da "queimada", tarefa essencialmente masculina. O plantio e a colheita, o preparo das comidas e o artesanato (confecção de vasos de argila, redes, etc) eram trabalhos femininos. Instrumentos de guerra - arcos e flechas, maças, lanças - eram feitos pelos homens. Os artefatos de guerra ou de trabalho eram de madeira e pedra, e desta última eram inclusive os machados com que cortavam madeira para vários fins.


Jean de LéryViajante europeu que em sua viagem ao Brasil em 1556, conviveu com os índios Tupinambás. Ao desenhar os índios, desejava revelar a ornamentação facial com pedras, expor as marcas de guerra para mostrar a bravura do nativo. (Ana Maria de Moraes Beluzzo, Brasil dos Viajantes, 1999. São Paulo, Metalivros e Editora Objetiva)

O casamento

Entre os tupis, o matrimônio avuncular (tio materno com sobrinha), ou entre primos cruzados, era o mais desejado.

Mas, para casar, o jovem devia passar por certos testes, o principal deles consistindo em fazer um cativo de guerra para o sacrifício.

A guerra e os festins canibalescos

A vida dos grupos locais ou mesmo de "nações"A população nativa foi classificada pelos colonizadores em "castas", "gerações" e, sobretudo, "nações", sendo nação palavra que, na época, era utilizada para designar o estrangeiro, o que se diferenciava pela língua, costumes ou religião. Tupi girava em torno da guerra, da qual faziam parte os rituais antropofágicos. Guerreavam contra grupos locais da mesma nação, entre "nações" e contra os "tapuias".

A guerra e os banquetes antropofágicos reforçavam a unidade da tribo: por meio da guerra era praticada a vingança dos parentes mortos, enquanto o ritual antropofágico significava para todos, homens, mulheres e crianças, a lembrança de seus bravos. O dia da execução era uma grande festa.

Nos banquetes antropofágicos, o prisioneiro era imoblizado por meio de cordas. Mesmo assim, para mostrar seu espírito guerreiro, devia enfrentar com bravura os seus inimigos, debatendo-se e prometendo que os seus logo reparariam a sua morte.


Hans StadenViajante alemão, aventureiro e herói-viajante, esteve no Brasil no século XVI. Tendo sido confundido pelos Tupinambás com português e inimigo, foi preso, ameaçado de morte e devoração canibal. (Ana Maria de Moraes Beluzzo, Brasil dos Viajantes, 1999. São Paulo, Metalivros e Editora Objetiva).

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