Este canal apresenta um breve panorama sobre o processo de ocupação do território brasileiro, com ênfase nas contribuições prestadas por distintos grupos étnicos.

Os imigrantes e a desilusão no país de chegada

Na chegada dos primeiros imigrantes japoneses, no instante em que aportou o navio Kasato Maru em Santos, desencadeou-se a sua dolorosa relação com o sentimento de desilusão. Referindo-se a esse sentimento, Tomoo HandaJaponês, nascido em 1906 em Utsonomiya, Japão. Veio para o Brasil em 1917, juntamente com seus pais, indo morar e trabalhar no interior do estado de São Paulo. Pintor e historiador, muito escreveu sobre a imigração japonesa. Em 1932, entrou para a Escola de Belas Artes na capital paulista. conta que o Kasato Maru aportou em Santos, justamente nos dias em que aconteciam as festas juninas, o que levou os imigrantes a imaginarem que os foguetórios vinham em sua homenagem, celebrando a sua vinda.

 

Para os japoneses, migrar para o Brasil representava a possibilidade de conseguir melhores condições de vida e, no futuro, retornar à terra natal. Esse projeto, entretanto, ia se mostrando de difícil realização:

  • as próprias companhias de imigração procuravam fixar os imigrantes na terra, afastando deles o projeto de conseguir um montante de renda para voltarem ao Japão. Aos poucos, muitos foram sentindo as dificuldades de retornar e abandonando seus planos originais.
  • pouco a pouco começaram a perceber que o Estado japonês não tinha intenções de promover a sua volta. Viram-se, assim, postos diante da necessidade de desbravar outros caminhos para uma ascensão econômica.

Principais regiões de destino

 

Da década de 30 até a Segunda Guerra Mundial, ocorreu o maior fluxo migratório de toda a história da imigração japonesa no Brasil.

 

Distribuição dos imigrantes oriundos do Japão, naturais e brasileiros, segundo as Unidades da Federação - 1940/1950 (Regiões selecionadas)

 

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000.

É possível acompanhar a fixação dos imigrantes, aqueles trazidos pelas companhias de imigraçãoAs diversas companhias de emigração japonesas estavam reunidas e eram gerenciadas pela Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK), ou Companhia Ultramarina de Empreendimentos, fundada em 1917, que atuava tanto no Brasil, em São Paulo, quanto no Peru, Colômbia, Cuba e Filipinas. A KKKK gerenciava uma série de atividades além da própria emigração, tais como a gestão das colônias, venda e compra de bens móveis e imóveis, toda a parte administrativa e financeira dos negócios além-mar, além da organização da infraestrutura das colônias, como construção de casas, escolas e fábricas. EsSe tipo de empreendimento era importante para a manutenção da política imigratória do governo japonês., em núcleos criados ao longo dos trilhos ferroviários do Estado de São Paulo, os quais se direcionavam para terras inexploradas.

Porém, nem sempre as colônias obtinham sucesso. A ocupação da região amazônica pelos japoneses iniciada no final da década de 20, sofreu seus revezes. Entretanto, os núcleos de colonos lá se mantiveram, malgrado os insucessos e o definhamento de parte da população, dizimada por doenças e pelo abandono das empresas de imigração.

Grande parte dos imigrantes iriam para a região noroeste de São Paulo, onde foram abertos novos trechos da estrada de ferro.

Outros tipos de colônias, além daquelas organizadas pelas companhias, também surgiram.

Esses núcleos nasciam da iniciativa dos imigrantes, que juntavam familiares e companheiros, organizando escolas e associações. A permanência nesse tipo de colônia também não era sempre duradoura, ocorrendo mudanças conforme as oportunidades e investimentos das famílias.

Sempre em busca de melhores condições, os imigrantes também seguiram em direção às regiões e cercanias do estado de São Paulo e Santa Catarina, ao sul, e também ao Mato Grosso, Norte do país e Nordeste.


© 2017 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística