Este canal apresenta um breve panorama sobre o processo de ocupação do território brasileiro, com ênfase nas contribuições prestadas por distintos grupos étnicos.

A longa permanência do negro no Brasil acabou por abrasileirá-lo.

De um lado, o africano se tornou ladino e tornou seus filhos crioulosNegros nascidos no Brasil. e mestiços de várias espécies: mulatoMestiço de negra com branco., pardoÉ uma das opções oferecidas no questionário do Censo Demográfico quando se pede às pessoas para declararem a sua cor ou raça., cabra, caboclo. A crioulização e a mestiçagem são temas inevitáveis da história do negro no Brasil.

 

De outro lado, raros são os aspectos de nossa cultura que não trazem a marca da cultura africana. O assunto já foi muito tratado por historiadores e antropólogos, que estudaram dos negros a família, a língua, a religião, a música, a dança, a culinária e a arte popular em geral.

Confira as parcelas de negros e pardos na tabela abaixo, que representa a distribuição da população brasileira segundo a corO Censo Demográfico classifica as pessoas segundo a cor ou raça, que é declarada pela própria pessoa de acordo com as seguintes opções: branca, preta, amarela, parda ou indígena..

Evolução da população brasileira, segundo a cor - 1872/1991

 

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: 2000.

A partir da segunda metade do século XIX, a população negra e mestiça cresceu, mas não como decorrência de alforriasLibertação de qualquer jugo ou domínio. Alforrias de escravos negros e, sobretudo, mestiços existiram desde os primeiros tempos do escravismo e mesmo desde a segunda metade do século XVII. Mas foi a partir do século XVIII que uma notável população livre de cor começou a emergir, trazendo inclusive preocupação política a autoridades de várias regiões, como Minas Gerais e Nordeste, que viam naquela população, em particular, nos pardos, cheios de vontade de ascenção social, uma ameaça política à sociedade colonial. As alforrias favoreciam preferencialmente os escravos nascidos no Brasil, mais próximos das redes afetivas senhoriais (facilitando alforrias gratuitas) e das oportunidades econômicas da escravidão (facilitando alforrias pagas)., e sim devido a um crescimento natural: era gente livre tendo filhos livres. A população livre "de cor", sobretudo os afromestiços, chegou a constituir parcelas expressivas das camadas urbanas.


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