Este canal apresenta um breve panorama sobre o processo de ocupação do território brasileiro, com ênfase nas contribuições prestadas por distintos grupos étnicos.

Durante a fase da Imigração de Transição, nos períodos de 1760-1791 e de 1837-1841, observou-se o extraordinário aumento do fluxo de migrantes em alguns anos, cerca de 10 mil imigrantes, e um fraco movimento em outros anos, cerca de 125 imigrantes.

A origem socioeconômica dos imigrantes nessa fase de transição foi contrastante: aportaram no Brasil não apenas imigrantes de elite, mas também, minhotos pobres, expulsos de sua terra natal (a região do Minho) devido à falta de trabalho. Estes, no entanto, não foram mais numerosos do que aqueles oriundos de camadas intermediárias ou superiores da sociedade portuguesa.


Alexandre Rodrigues FerreiraBrasileiro, nascido na Bahia em 1756. Faleceu em 1815. Filho de comerciante, estudou História Natural e Filosofia em Coimbra (Portugal). Tendo se destacado nos estudos, foi indicado para participar de uma expedição à Amazônia onde permaneceu de 1783 a 1792. Com o nome de "Viagem Filosófica", esta expedição teve vários objetivos: conhecer os rios, plantas, animais, além dos levantamentos populacionais da região. (VAINFAS, R.(Org.) Dicionário do Brasil Colonial. Editora Objetiva. No prelo).

Imigração de elite

O período em que fica mais evidente a origem rica dos imigrantes portugueses é o compreendido entre 1808 e 1817, quando cerca de 10 ou 15 mil portugueses dos que aqui chegaram distinguiam-se pela riqueza e pelo nível de educação: pertenciam à corte de D. João VI ou eram caixeiros, isto é, indivíduos com uma clara inserção nos grandes ou médios estabelecimentos. Além disso, tinham um nível de educação mais elevado do que a média da população portuguesa da época.

Emigrantes pobres da região do Minho

No século XVIII, ocorreu, também, a emigração de grupos oriundos de camadas sociais pobres. Dois acontecimentos propiciaram a vinda desses grupos para o Brasil:

  • a revolução agrícola na região do Minho
  • a descoberta do ouro na Colônia, para cuja exploração era exigido um investimento mínimo.

A revolução agrícola significou, principalmente, a generalização do cultivo do milho e, com isso, uma enorme melhoria na alimentação básica do minhoto. A população nesse período apresentou taxas de crescimento relativamente elevadas, o que resultou numa alta densidade demográfica na região: em 1801, enquanto em Portugal eram registrados, em média, 33 habitantes por Km2, no Minho a densidade populacional atingia 96 habitantes por Km2.

Ao mesmo tempo, no Novo Mundo, eram descobertas, e já começavam a ser exploradas, as minas de ouro das regiões das Minas. Nessa fase do surto minerador, as exigências de investimento eram muito pequenas: bastava uma bateiaTina (gamela) de madeira que se usa na lavagem da areia que contém ouro ou diamante. e muita coragem. Isto representou um forte estímulo à imigração.

Assim, se o noroeste português tornou-se uma fonte quase inesgotável de trabalhadores, a Colônia, por sua vez, tornou-se um mercado atrativo para os que não tinham muito dinheiro para investir na atividade econômica.

A tradição política e cultural

Acompanhando o Século das LuzesO século XVIII é conhecido como o Século das Luzes porque foi quando as ideias liberais se espalharam pelo mundo e nasceram as democracias modernas nos Estados Unidos e na França. Tudo isso influenciou os movimentos artísticos e literários que, juntamente com os ideiais de liberdade, acabaram por chegar ao Brasil., no Brasil, as revoltas antifiscais e a arte do século XVIII revelam o ideal de liberdade e, portanto, um sentimento político contrário à Metrópole.

Assim, às sublevações indígenas e aos movimentos quilombolas vieram juntar-se as revoltas de portugueses e brasileiros contra a exploração da Coroa. As mais importantes revoltas antifiscais foram: a Conjuração Mineira (1789), a Conjuração Carioca (1794) e a Inconfidência Baiana (1798).

O sentimento contrário à Metrópole também se manifestou nas artes, como na arte barroca colonialO sentimento do brasileiro contra o jugo português se manifesta também na arte. É o tímido desabrochar de uma arte brasileira, de um barroco nativo, cujas virgens e anjos têm as faces do mestiço: morenos e roliços, com lábios entumecidos. Os portugueses protestaram, percebendo nestas esculturas a insubmissão política (LATIF, M. M. de B. As Minas Gerais. A aventura portuguesa, a obra paulista, a capitania e a província. Rio de Janeiro: A Noite, 19___. p. 156,157).. Deste período alguns artistas e músicos merecem destaque: Antonio Francisco Lisboa, o AleijadinhoNasceu em 1730, em Vila Rica de Ouro Preto, antiga capital de Minas Gerais. Filho de pai português e de uma escrava negra, herdou os conhecimentos rudimentares de arquitetura e do trabalho de entalho de madeira do pai e do tio, ambos carpinteiros, sendo o pai o mais famoso construtor da região das Minas., um dos maiores artistas do século XVIII, e Domingos Caldas BarbosaComo seu contemporâneo, o Aleijadinho, Caldas Barbosa era filho de pai português e de mãe negra, angolense. Alguns dos seus biógrafos afirmam que nasceu no mar, durante a viagem de regresso de seu pai para o Rio de Janeiro, em 1740. Faleceu em novembro de 1800. Ainda muito jovem, revelou o seu talento para a poesia satírica, tendo feito alguns versos de críticas aos portugueses. Foi poeta, compositor, violonista e cantor. Caldas Barbosa é visto como o primeiro nome de alguém que fez, comprovadamente, música popular brasileira. (VASCONCELOS, A. Raízes da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Rio Fundo Ed., 1991, p. 50-51.)., que compôs versos e criou o gênero musical, ainda hoje conhecido como modinha.


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