Este canal apresenta um breve panorama sobre o processo de ocupação do território brasileiro, com ênfase nas contribuições prestadas por distintos grupos étnicos.

Era grande a variedade de termos que designavam os grupos negros no Brasil. Entretanto, mesmo confundidos sob uma única denominação étnica, cada africano conservava a sua tradição cultural, ou seja, sabia que "tinha sua terra", como declarou um dos escravos envolvidos na rebelião de 1835 na Bahia.

A maioria dessas denominações foram adquiridas no circuito do tráfico, mas com frequência acabaram adotadas e reconstruídas no Brasil pelos próprios escravos.

Confira no quadro a baixo alguns dos grupos negros e suas denominações no Brasil.

As denominações étnicas, além de não serem as mesmas na África e no Brasil, variavam dentro do próprio país. Os nagôs, jejes, haussás e outros grupos eram identificados como minas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Esses africanos declaravam não só que "tinham sua terra", mas também declaravam saber que viviam em "terra de branco", onde as chances de escapar pacificamente da escravidão, embora existissem, eram poucas.

Essa certeza gerou o anseio de liberdade e, em consequência, os movimentos e as tentativas de resistência à escravidão, que assumiram as mais diversas formas.


Jean Baptiste DebretNasceu em Paris, em 18 de abril de 1768. Após terminar os estudos, Debret resolveu se dedicar à pintura. Depois de uma viagem à Itália, ingressou na Academia de Belas Artes, em 1785. Frequentou mais tarde a Escola Politécnica, organizada para formar engenheiros militares, onde se distinguiu em desenho. Em 1816, organizou-se em Paris, a pedido de D. João VI, a "Missão Artística Francesa", destinada a fundar, no Brasil, uma Academia de Belas Artes. Debret nela se engajou, tendo aqui permanecido por 15 anos. De volta à Franca, publicou em 1834 e 1839 o livro "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil", em 3 volumes, que não foi bem recebido no Brasil: os membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro julgaram "chocante que se pintassem costumes de escravos e cenas da vida popular com tanto realismo". É justamente isso, no entanto, que torna o livro um documento de grande valor para o conhecimento dos usos e costumes da época em que permaneceu no Brasil.

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